Por que ainda existe dificuldade no diagnóstico das anomalias vasculares?
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Atualizado: há 2 dias
Embora sejam consideradas raras, as anomalias vasculares não são incomuns. Estima-se que cerca de 2% da população seja afetada por esse tipo de condição, o que representa milhões de pessoas.

O diagnóstico precoce de qualquer condição de saúde é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento e reduzir impactos na qualidade de vida. Quando falamos de doenças raras, essa necessidade é ainda maior. No entanto, no caso das anomalias vasculares, o que observamos na prática é justamente o oposto: dificuldade em chegar a um diagnóstico preciso, inclusive dentro do próprio sistema de saúde.
Embora sejam consideradas raras, as anomalias vasculares não são incomuns. Estima-se que cerca de 2% da população seja afetada por esse tipo de condição, o que representa milhões de pessoas. Ainda assim, muitos desses casos não são corretamente identificados, permanecendo fora das estatísticas reais.
Na maioria das vezes, os primeiros sinais aparecem nos primeiros meses de vida do bebê. Manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele costumam chamar a atenção dos pais, que procuram avaliação médica, geralmente do pediatra de confiança. Esse é o caminho esperado. Mas é também nesse momento que começam os desafios.
O que dificulta o diagnóstico das anomalias vasculares
Ao longo de mais de 30 anos dedicados ao tratamento dessas condições, observo que uma das principais dificuldades está na formação médica tradicional, que, em geral, não aborda as anomalias vasculares de forma aprofundada durante a graduação ou residência. Isso faz com que muitos profissionais não tenham contato suficiente com essas patologias e, consequentemente, encontrem dificuldade em reconhecê-las e classificá-las corretamente.
Outro ponto importante é o uso impreciso da nomenclatura. Durante muitos anos, diferentes tipos de lesões vasculares foram chamados genericamente de “hemangioma”. Ainda hoje, esse hábito persiste. Na prática, isso significa que diversas anomalias vasculares acabam sendo classificadas de forma equivocada, impactando diretamente o diagnóstico e a conduta terapêutica.
Além disso, estamos falando de um grupo de condições bastante heterogêneo. Existem diferentes tipos de anomalias vasculares (tumores vasculares, malformações venosas, arteriais e linfáticas), que podem apresentar características semelhantes, principalmente nas fases iniciais. Essa semelhança contribui para a imprecisão no diagnóstico.
Outro fator que dificulta o reconhecimento é a própria evolução dessas lesões. Muitas anomalias vasculares podem crescer de forma lenta e progressiva, ao longo dos anos, retardando a percepção de que se trata de uma condição que precisa de avaliação especializada.
Como consequência, não é incomum observar diagnósticos imprecisos, condutas inadequadas, intervenções desnecessárias e, em alguns casos, até mesmo a ausência de diagnóstico e tratamento.
Por que as anomalias vasculares devem ser acompanhadas por um médico especialista
As anomalias vasculares são condições complexas, que exigem conhecimento específico, experiência clínica e familiaridade com diferentes padrões de apresentação.
Mais do que identificar a presença de uma lesão, é fundamental saber classificá-la corretamente. Isso porque cada tipo de anomalia vascular tem um comportamento próprio e pode exigir uma abordagem completamente diferente.
Além disso, algumas dessas lesões podem causar dor ou interferir em funções importantes, como respiração, visão e mobilidade. Por isso, o diagnóstico precoce e preciso é determinante para a evolução do caso.
Quando o paciente é avaliado por um especialista, aumenta significativamente a chance de um diagnóstico correto desde o início, evitando atrasos no tratamento e reduzindo o risco de complicações.
Aqui no meu site apresento uma série de conteúdos que podem ajudar os pais, pacientes e familiares a entender os tipos de anomalias vasculares e seus sintomas, além das opções de tratamento.
Este conteúdo foi produzido pela Dra. Heloisa Campos, especialista em anomalias vasculares e hemangiomas, com mais de 30 anos de experiência. Também é diretora do Departamento de cirurgia reparadora do A.C.Camargo Cancer Center,



