O hemangioma pode representar riscos para o desenvolvimento do bebê?
- há 3 horas
- 3 min de leitura
Dados científicos demonstram que a maioria dos hemangiomas não tratados deixam alterações permanentes, como cicatrizes, pele redundante ou textura alterada

Em muitos casos, sim, o hemangioma pode causar riscos para o desenvolvimento do bebê.
O hemangioma da infância é um tumor benigno de rápida progressão nos primeiros meses de vida. É preciso estar atento, pois a lesão exige cuidado redobrado e acompanhamento especializado, desde o início, para evitar riscos funcionais e estéticos irreversíveis.
Dados científicos demonstram que a maioria dos hemangiomas não tratados deixam alterações permanentes, como cicatrizes, pele redundante ou textura alterada. Por isso, a antiga conduta de "apenas observar" deve ser substituída por um acompanhamento ativo e precoce desde as primeiras semanas de vida, uma vez que a regressão espontânea raramente ocorre sem deixar marcas residuais, que impactam a dignidade e a aparência do paciente.
O que é o hemangioma, afinal?
É um tumor vascular benigno causado pelo crescimento desordenado de pequenos vasos sanguíneos. Ele surge após o nascimento, geralmente nas primeiras semanas de vida. No início, aparece como uma mancha avermelhada e brilhante, que os pais frequentemente comparam a um morango. Pode ser superficial, profundo, quando apresenta tom azulado, ou misto.
Na maior parte das vezes, o hemangioma aparece como lesão única. É mais comum na face e no couro cabeludo, embora possa surgir em qualquer parte do corpo. O hemangioma também pode ocorrer em órgãos internos, como fígado e trato gastrointestinal.
Os principais fatores de risco incluem:
Gênero: meninas têm três vezes mais chances de desenvolver hemangioma.
Prematuridade: mais frequente em bebês prematuros.
Procedimentos na gestação: há maior incidência após biópsia de placenta ou amniocentese.
A ciência ainda não identificou uma causa única para o hemangioma. A principal hipótese é que ele esteja relacionado a uma combinação de fatores hormonais, genéticos e ambientais. Não há forma conhecida de prevenção.
Comportamento e evolução da lesão
O hemangioma segue um ciclo biológico previsível:
Crescimento rápido: ocorre no primeiro ano, com um pico crítico entre o 1º e o 3º mês de vida, período ideal para iniciar o tratamento.
Regressão espontânea: é um processo lento que dura vários anos e pode deixar alterações residuais se não houver tratamento.
Quando o hemangioma se torna um risco?
As complicações decorrentes do rápido desenvolvimento do hemangioma envolvem deformidade progressiva e distensão da pele e de outras estruturas. O risco é maior quando a lesão obstrui funções vitais como visão, audição ou respiração. A infiltração superficial da pele favorece o aparecimento de ulcerações e de sangramentos.
Lesões em áreas úmidas e de atrito, como as regiões perioral e da fralda, estão mais sujeitas a ferimentos contaminados e de difícil cicatrização.
Por essa razão, a avaliação especializada precoce é fundamental. Na maioria das vezes, o diagnóstico é essencialmente clínico, feito em consultório com o auxílio de equipamentos de Doppler e ultrassom.
A ressonância magnética fica reservada para esclarecer dúvidas sobre a extensão da lesão ou para casos de suspeita de acometimento de órgãos internos. A tomografia computadorizada deve ser evitada, sempre que possível, por causa da radiação.
Opções de tratamento para o hemangioma
Hoje, a prioridade é a conduta ativa e precoce, para evitar complicações e sequelas funcionais e estéticas. Entre as principais oções de tratamento estão:
Betabloqueadores, como o propranolol: são a primeira escolha, com taxa de resposta de 96% a 98%. Atuam bloqueando o crescimento e induzindo a regressão da lesão.
Laserterapia com Dye Laser: muito eficaz para tratar lesões residuais. No caso de úlceras, a fotobiomodulação com laser de baixa potência acelera a cicatrização e alivia a dor.
Cirurgia: reservada para casos específicos em que o tratamento clínico não alcançou a resolução completa da deformidade nem a correção de cicatrizes.
O que os pais devem fazer?
Ao notar qualquer mancha ou saliência avermelhada no bebê, busque um especialista em anomalias vasculares o quanto antes. O diagnóstico e a abordagem precoces reduzem o risco de complicações e de sequelas que acompanham a criança por toda a vida.
Este conteúdo foi produzido pela Dra. Heloisa Campos, especialista em anomalias vasculares e hemangiomas, com mais de 30 anos de experiência. Também é diretora do Departamento de cirurgia reparadora do A.C.Camargo Cancer Center



